Apologética Cristã

Letra:
Ó Mulher, Grande é a Tua Fé!
Autor: Wayne Jackson
Inserido em: 2008-10-11
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Nas fronteiras de Tiro e Sidom, o Senhor encontrou uma mulher notável, à qual exclamou: “Ó mulher, grande é a tua fé.” Com tal tributo concedido pelo Filho do Deus, seguramente quereremos saber mais sobre esta nobre senhora.

Jesus e os Seus discípulos estavam sob uma considerável pressão, pois a hostilidade dos Judeus intensificava-se. Assim, o Mestre e os Seus seguidores retiraram-se para as fronteiras de Tiro e Sidom (na Fenícia), a noroeste de Canaã.

Aqui o Senhor encontrou uma mulher notável, à qual exclamou: "Ó mulher, grande é a tua fé." Com tal tributo concedido pelo Filho do Deus, seguramente quereremos saber mais sobre esta nobre senhora. O registo encontra-se em Mateus 15:21-28 e no relato paralelo, em Marcos 7:24-30.

O Contexto

Enquanto estava na região sirofenícia, Jesus entrou certa vez numa casa onde esperava encontrar alguma privacidade, mas, significativamente, "Ele não pode ser oculto" (Marcos 7:24), porque a Sua mensagem era demasiado maravilhosa e os Seus feitos demasiado poderosos para serem escondidos. A Sua fama precedia-O onde quer que Ele fosse.

Foi aqui que uma mulher com o coração despedaçado O procurou. Ela era de origem cananéia, isto é, tinha raízes pagãs. A mulher estava extremamente afligida devido ao facto de a sua filha ainda pequena estar possuída por um demónio que lamentavelmente a atormentava.

Nos dias do Novo Testamento, alguns demónios chegaram literalmente a habitar os corpos de algumas pessoas. A melhor conclusão que podemos retirar é que Deus permitiu isso para que Jesus pudesse demonstrar o Seu poder sobre as forças de Satanás.

Tendo em vista o pedido que queria fazer, esta mãe ansiosa seguiu Cristo e os que O acompanhavam, tendo–Lhe rogado que tivesse compaixão dela e curasse a sua filha. Muitos pensam o Senhor a tratou de uma forma descuidada, quase rudemente, no entanto, esse ponto de vista não tem qualquer fundamento.

Uma análise mais cuidada revela que Cristo conhecia a qualidade da alma desta mulher e Ele desafiou-a a amadurecer. De um modo maravilhoso, o Mestre Professor colocou vários obstáculos no caminho da mulher, cada um dos quais ela superou com uma fé radiante. Finalmente, Jesus exclamou: "Ó mulher, grande é a tua fé," e Ele curou a sua filha sem sequer ter colocado os olhos sobre a criança. Este foi outro dos milagres a "longa distância" efectuados pelo Senhor (ver João 4:46 em diante).

Que qualidades caracterizavam a fé desta mulher, a ponto de receber tão grande elogio por parte do Salvador? Consideremos o seguinte:

Uma Fé Informada

Esta mulher, embora com antecedentes pagãos, tinha obviamente conhecimentos em relação ao Filho de Deus. Isso é evidenciado pelo facto de ela tratar Jesus como "Senhor, filho de David."

A expressão "Filho de David" tem as suas raízes no Antigo Testamento. Os profetas tinham anunciado que o Messias descenderia da linhagem real de David (2 Samuel 7:12-16; Isaías 11:1). Assim, esta nobre mulher tinha alguma informação acerca do Antigo Testamento e das respectivas previsões quanto ao Messias (Cristo).

Uma Fé Devota

Três vezes no relato de Mateus, a mulher sirofenícia reconheceu Jesus como "Senhor". Sendo verdade que o termo Grego "kurios" pode ser usado como uma forma comum de tratar alguém respeitosamente (ver João 4:11; 9), neste exemplo ele claramente denota uma expressão da devoção religiosa.

Ela não usa de forma ligeira o termo "Senhor" e isso é evidente, pois ela "prostrou-se-lhe aos pés", "adorando-o" (Marcos 7:25; Mateus 15:25). Ela obviamente acreditava no poder miraculoso de Cristo e na Sua bondade, pois pediu por "misericórdia" na forma de um milagre (Mateus 15:22).

Onde teria ela aprendido acerca do Filho do Deus? Teria ela ouvido alguém falar sobre Ele? Teria ela viajado para a Galileia, estando presente entre as multidões que O seguiam? Essas perguntas devem permanecer sem resposta; o facto é, ela acreditou.

Uma Fé Persistente

Jesus ensinou em uma ocasião: “Pedí, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á.” (Mateus 7:7). As formas verbais denotam acção contínua, persistência. Esta senhora encantadora entendeu bem esse princípio, tanto que a sua fé era da mais tenaz.

Conforme sugerido anteriormente, com a intenção de aumentar e testar a sua fé, o Senhor colocou pequenas barreiras no caminho desta mulher, mas ela superou-as todas. Isso é evidência clara que Cristo tinha uma percepção divina que penetrava através da essência da alma desta mulher. Ela era uma pessoa forte, mas este encontro com o Filho de Deus a tornaria ainda mais forte.

Notemos o seguinte:

(1) Quando ela inicialmente fez o seu pedido de misericórdia, Jesus "não lhe respondeu palavra" (Mateus 15:23). Seria um erro grave assumir que o silêncio do Salvador evidenciava falta de interesse.

(2) Os discípulos sugeriram que Cristo concedesse apressadamente o pedido da mulher para que ela os deixasse em paz. Com certeza que essa foi a intenção do pedido feito pelos discípulos e isso está claramente implícito na natureza da resposta dada pelo Senhor. Jesus respondeu (sem dúvida tendo sido ouvido pela mulher) que Ele havia sido enviado apenas às ovelhas perdidas da casa de Israel e, isso excluía esta mulher gentia (Mateus 15:24). Mas ela não desistiu!

(3) Cristo disse-lhe: "Deixa que primeiro se fartem os filhos; porque não é bom tomar o pão dos filhos e lança-lo aos cachorrinhos." (Marcos 7:27). Muitos queixam-se de que nesta ocasião o Senhor usou linguagem insultuosa, mas o termo Grego utilizado para a palavra "cães" é diminutivo, significando um pequeno cachorrinho de estimação. A expressão não é áspera como poderia parecer.

Então, esta mulher perseverante "agarrou-se" ao significado da palavra "primeiro"; sendo certo que ela reconheceu a prioridade dos Judeus no plano do Deus, claramente ela detectou a inferência de que os Gentios no futuro também receberiam a benevolência do Salvador, tendo pensado para sí própria: "por que não agora?!"

Desse modo, com um argumento brilhante, ela contrapôs: "Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos." (Mateus 15:27; Marcos 7:28). Ela ficaria satisfeita com apenas uma migalha da mesa do seu Mestre. Que grande mulher! Ela agarrou-se firmemente como uma carraça, não sendo de admirar que o Salvador tivesse elogiado a sua grande fé!

Uma Fé Altruísta

Embora a mulher sirofenícia tivesse rogado ao Senhor dizendo "tem compaixão de mim" (Mateus 15:22), de facto o pedido foi para a sua filha. A sua paixão estava tão dirigida para a sua filhinha que ela colocou de lado quaisquer necessidades pessoais e implorou pelo bem estar da sua criança afligida. A história de um espírito tão disposto ao sacrifício é deveras refrescante nestes dias, quando o abuso infantil é um drama tão comum.

Uma Fé Activa

Esta mulher entendeu bem o conceito de que uma fé sem obras está morta. Embora não lhe tivessem pedido para executar nenhum acto específico de obediência, quando Cristo visitou a sua região, ela buscou-O, seguiu-O, adorou-O, apelou para Ele e argumentou com Ele. Se ela tivesse actuado segundo a premissa que “contanto que acredite que isso seja assim, assim será”, a sua filha afligida teria permanecido na mesma situação deplorável.

É uma verdade incontornável que segundo o Novo Testamento, nenhuma pessoa foi alguma vez abençoada por causa da sua fé pessoal, sem que essa fé tivesse-se exprimido em acções.

Observemos o caso registado em Marcos 2. Um homem, doente com paralisia, foi transportado por quatro dos seus amigos a uma casa onde o Senhor ensinava. Marcos relata: "E Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoados são os teus pecados." (2:5).

Ver a acção que eles levaram a cabo foi equivalente a ver a fé deles. Tiago desafia: "mostra-me a tua fé sem as obras" (2:18). Quão triste teria sido se esta estimável mulher tivesse raciocinado de seguinte modo: "sou gentia (pagã), uma mera mulher sem nenhuma reputação; quem sou eu para receber qualquer bênção deste afamado Nazareno?" Tivesse sido esse o caso, ela não teria pedido e por conseguinte, não teria recebido! (ver Tiago 4:2).

Esta mulher anónima inspirará muitos durante séculos inumeráveis. A sua fé resoluta e destemida brilha resplandecente nos relatos do Evangelho. Possamos todos nós ser suficientemente espirituais para aprendermos as lições que esta narrativa vibrante proporciona.

Nota: Algumas pessoas têm apelado para casos desta natureza num esforço para demonstrar que hoje em dia cada um pode improvisar o seu próprio sistema de adoração. Contudo, um acto espontâneo da devoção durante o ministério terreno de Jesus não é nem um paralelo nem uma justificação para procurarmos servir a Deus debaixo do regime do Novo Testamento por meio de "culto voluntário" (Colossenses 2:23).


Fontes
Veja aqui o artigo original (www.christiancourier.com)